A GRANDE TEIA

LEITURAS PERFORMATIVAS SOBRE OS LABIRINTOS DA LÍNGUA
[estreia prevista em 2027]


TRAGICOMÉDIA PUNK-ROCK MELOELETRÓNICA SOBRE O VÍRUS DA LINGUAGEM
[estreia prevista em 2028]

À MESA COM

TRAGICOMÉDIA PUNK-ROCK MELOELETRÓNICA SOBRE O VÍRUS DA LINGUAGEM


“Saddam Hussein escreveu quatro romances, incluindo um romance histórico e uma alegoria. Sob o pseudónimo Soselo, o jovem Estaline redigiu poesia romântica georgiana.  Muammar Gaddafi preferiu os géneros breves, uma prosa insólita. Vladislav Surkov — o estratega oculto por trás das políticas de Vladimir Putin — ficou famoso por ter usado o teatro experimental para nos inscrever a todos na nossa atual realidade pós-verdade e não-não-consensual. E ainda arranjou tempo para escrever o seu grande romance russo, Quase Zero.
O opressor chega sempre à mesma conclusão: controla a história, cria o mundo.”


“A história de Mx Muffin e do batom Revolutionary Redrouge”
Sophia Al-Maria






CONCEITO


O vírus da linguagem não nasce connosco, mas cedo, bem cedo, se infiltra e manifesta, ora erva daninha, ora grande bênção que nos distingue dos restantes animais. Não sendo congénito, o vírus da linguagem passa de pais para filhos, à mesa de refeições e mesmo com as mãos lavadas. E prossegue vida afora.
Há quem diga que é algo que veio do espaço e nos ocupa enquanto hospedeiros; há quem diga que é uma tecnologia, depurada e obsessiva, resultante do facto de sermos seres sociais.  

À MESA COM – O VÍRUS DA LINGUAGEM é uma comédia física em tempos sombrios, uma dramaturgia original que resulta de um longo processo de pesquisa e colaboração entre atores, palhaços, académicos, filósofos, escritores e outros cidadãos anónimos com que nos vamos cruzando. Juntos, numa mesa expandida, uns com os outros, uns contra os outros, uns e outros, faremos da língua e da linguagem laboratório de expressão e relação num estilo que, à falta de definição, por ora chamamos de tragicomédia punk-rock melo-eletrónica.  

À MESA COM é um projeto que posiciona a linguagem não apenas como uma ferramenta de comunicação, mas como um organismo vivo — um "vírus" que nos molda, nos infeta e nos define. Propõe-nos um banquete de ideias e palavras, de arquétipos e de tipos banais, onde o absurdo e a filosofia se sentam lado a lado, mergulhando nos desafios atuais e ancestrais da língua e da linguagem. O que têm em comum o clown, o bufão, 1984 de George Orwell, Ecologia de Joana Bértholo, Comer a Língua de Regina Guimarães, Chuva de Jasmim de Shahd Wadi e Sacaplicação de Baleia Baleia Baleia? O que têm em comum a inteligência artificial e a novilíngua?

Será possível entender melhor as possibilidades do presente se nos sentarmos à mesa, tal como uma família, com os nossos pares, os nossos demónios e o que não entendemos, e aceitarmos o dissenso como uma ferramenta de diagnóstico para o momento de profunda transformação que atravessamos? Como é que o prompt altera a nossa capacidade de fabulação original? E se no mundo das fake news e das redes sociais digitais libertássemos o nosso corpo, tal como a nossa imaginação, para criar o futuro que desejamos? Poderá ser a copresença, ao redor de uma mesma mesa, um gesto de subversão e reinvenção da saúde física, mental, social e imaginativa?

Com uma equipa pluridisciplinar e direção artística de Catarina Lacerda, este projeto tem ainda por encontrar o seu encenador. Como numa casa que acaba de perder a figura paternal, e em que a mãe, recusando-se a perpetuar os esquemas de poder patriarcais, devolve à família a difícil tarefa de coexistirem à mesa na decisão: quem detém a narrativa?


    1. Sobre isto, consultar ações de mediação – Sessões de Pensamento Crítico “O Vírus da Linguagem” e Leituras performativas de A GRANDE TEIA




“Este é um texto fascinante e denso (...) Este projeto parece ser um exercício vital de antropofagia cultural, onde se come a língua para se poder falar de novo. Como pretende o grupo operacionalizar estas provocações em cena? Através da improvisação pura ou de uma estrutura de texto "gerada" por estes confrontos?”

Gemini, Assistente de IA da Google. Excerto da resposta à prompt “Quais as questões que o texto anexo aponta e provoca?”






MEMÓRIA DESCRITIVA



O processo de pesquisa e criação desenha-se ao longo de dois anos e através de um conjunto diversificado de ações: Formações Especializadas e Sessões de Pensamento Crítico. Promove um processo partilhado e colaborativo de auscultação e escrita textual, física e cénica, e ativa de modo complementar diferentes níveis de participação de diferentes públicos, interlocutores e territórios.

As ações de 2027 encontram-se maioritariamente afetas ao projeto A GRANDE TEIA, ainda que desenhadas de modo a preparar À MESA COM, num gesto dramatúrgico, cumulativo e intencional. Esta metodologia permite:

      • Aprofundar e atualizar o campo conceptual do projeto, colocando-o em tração com pontos de vista e contexto de diferentes públicos;
      • A formação e agregação de uma equipa conhecedora, colaborativa e tecnicamente capaz, constituída por escritores, autores, atores e intérpretes;
      • A experimentação e maturação de uma linguagem cénica, potencialmente disruptiva, em porvir.

A dramaturgia de À MESA COM será uma escrita a várias mãos, em diferentes fases, com direção e coordenação de Catarina Lacerda, a partir do campo referencial inicial ressignificado e atualizado ao longo de 2027, através do processo de criação A GRANDE TEIA.

A formação especializada “Bufão – a família, esse enorme big bang” com Ami Hattab (em confirmação) expõe-nos à técnica de bufão, expandindo o universo ficcional e plástico desta linguagem física e verbal — excessiva, grotesca, disforme, disruptiva. Nela, inspirados cumulativamente por Fellini, Bergman, pelo arraial minhoto e pelo Canal Parlamento, exploraremos linhas de tensão contidas na célula familiar e expandidas a muito além dele.

A escrita textual e musical acontece entre Janeiro e Junho de 2028, pontuada por duas residências de criação. Nelas, em contexto laboratorial, ante a presença da equipa nuclear do projeto e com a participação de dramaturgos convidados, aprofundamos as possibilidades do guião. O segundo encontro com Ami Hattab acontece também neste período e tratará de explorar, em contexto de formação, limiares da comicidade das personagens e cenas escritas.

Em Outubro de 2028, já com guião e “libreto” final, voltaremos à sala de ensaios para fecho do espetáculo.



    2. Ver CONSTELAÇÃO POLIFÓNICA REFERENCIAL 






CRONOGRAMA




OUTUBRO 2027 
   FORMAÇÃO ESPECIALIZADA — “Bufão – a família, esse enorme big bang”

   com Ami Hattab




OUTUBRO A NOVEMBRO 2027


   SESSÕES DE PENSAMENTO CRÍTICO — “O Vírus da Linguagem”

   com Dina Mendonça ou Tomás Carneiro



JANEIRO A MAIO 2028

   FEVEREIRO
      RESIDÊNCIA DE ESCRITA DRAMATÚRGICA
     com Diogo Liberano, Joana Bértholo, Lígia Soares e equipa nuclear

   MARÇO
      FORMAÇÃO CATALISADORA DA ESCRITA FÍSICA CÉNICA
       com Ami Hattab

ABRIL ou JUNHO
      RESIDÊNCIA DE ESCRITA DRAMATÚRGICA E COMPOSIÇÃO MUSICAL
     com Baleia Baleia Baleia, Diogo Liberano, Joana Bértholo e equipa nuclear
   

FEV-MAIO

     PRÉ-PRODUÇÃO EDIÇÃO
     Livro que reúne conteúdos originais do projeto “O Vírus da Linguagem”

     CONVERSAS PÚBLICAS
     com escritores, equipa e participantes do projeto



OUTUBRO A NOVEMBRO 2028


     SESSÕES DE PENSAMENTO CRÍTICO — “O Vírus da Linguagem”
     com Dina Mendonça ou Tomás Carneiro



NOVEMBRO E DEZEMBRO 2028

        ESTREIA E CIRCULAÇÃO


       LANÇAMENTO DA EDIÇÃO








EQUIPA




Direção Artística
Catarina Lacerda

Dramaturgia
Catarina Lacerda, Malu Vilas Boas e Joana Magalhães

Acompanhamento Dramatúrgico
Lígia Soares, Joana Bértholo e Diogo Liberano

Assistente de Encenação
a definir

Apoio a Movimento
a definir

Apoio a Voz
a definir

Autores Convidados
Baleia Baleia Baleia, Joana Bértholo, Regina Guimarães, Shahd Wadi

Atores e Atrizes
Catarina Lacerda, Inês Lua, Jaime Castelo Branco, Joana Magalhães, Malu Vilas Boas, Rodrigo Malvar, Sara Neves, Susana Madeira

Composição
Rui Lima e Sérgio Martins

Interpretação Musical e Performance ao Vivo
Rui Lima e Sérgio Martins
Gravação
Quico Serrano

Espaço Cénico
a definir

Figurinos
Helena Guerreiro

Desenho de Luz
Cárin Geada

Produção
Ana de Sousa Vieira

Design Gráfico
Sérgio Couto

Assistência de Produção
a definir

Comunicação
Ana Rita Marreiros

Coordenação Editorial de Publicação e Podcast
Catarina Lacerda, Joana Magalhães e Rodrigo Malvar

Registo Vídeo
Miguel F

Fotografia de Cena
Ana Dinis ou João Quirino